Aprenda sobre a semântica dos verbos e de seus tempos!
Depois de falarmos sobre os verbos, não poderíamos deixar de dar importância ao seu aspecto semântico. Em primeiro lugar, devemos reforçar que, quando falamos em semântica, nos referimos à significação. Por isso, quando dizemos que vamos estudar a semântica dos modos e tempos verbais, queremos dizer que estudaremos os significados que eles carregam.
Vamos ver como isso funciona na prática?
Modo Imperativo
É o modo que dá uma ordem, um conselho, uma dica, uma súplica, uma sugestão ou faz um pedido. Ele é formado a partir do presente do indicativo e não é subdividido em tempos.
Exemplos: Coma tudo! / Não faça isso! / Leia com atenção.
Devemos prestar atenção quando usar o imperativo na 1ª pessoa do plural (nós), pois podemos confundi-lo com o subjuntivo. Para que fique mais claro, devemos ter em mente que, ao contrário do subjuntivo, o imperativo não depende de uma subordinação.
Exemplo: Não desistamos de nossos ideais.
OBS: O modo imperativo é utilizado no texto injuntivo (receita, manual, etc.).
Modo subjuntivo
É o modo da incerteza, do desejo, da possibilidade. A semântica do subjuntivo nunca será de certeza, mas sempre de possibilidade, dúvida, irrealidade.
Exemplos: Espero que você venha. / Se ele viajasse, seria ótimo.
Ele ocorre somente em estruturas subordinadas. Isso quer dizer que ele vai aparecer em uma estrutura dependente de outro verbo – quero (verbo do qual o subjuntivo depende) que ele venha (subjuntivo) –, ou dependente de um nome – talvez (nome do qual o subjuntivo depende) ele venha (subjuntivo).
Tempos do subjuntivo
- Presente: O verbo no presente do subjuntivo enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual. Exemplo: É conveniente que estudes para o exame.
- Pretérito Imperfeito: Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido. Exemplo: Eu esperava que ele ganhasse a prova. OBS: O pretérito imperfeito também é utilizado para expressar condição e desejo. Exemplo: Se ele viesse ao clube, entraria na piscina.
- Pretérito perfeito (composto): Expressa um fato totalmente terminado num momento passado. Exemplo: Embora tenha comido bastante, ficou com fome.
- Pretérito mais que perfeito (composto): Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado. Exemplo: Embora a prova já tivesse começado, alguns alunos puderam entrar na sala.
- Futuro do presente (simples): Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual. Exemplos: Quando ele vier aqui, levará os presentes. / Se ele vier aqui, levará os presentes.
- Futuro do presente (composto): Enuncia um fato posterior ao momento atual, mas já terminado antes de outro fato futuro. Exemplo: Quando ele tiver saído do hospital, nós o visitaremos.
Modo indicativo
O modo indicativo é o mais versátil. Ele é o único em que o verbo afirma, que fala com certeza. Porém, isso não o impede de trabalhar também com a dúvida e com a possibilidade.
Exemplos: Eu sairei hoje. / Eu acho que tudo dará certo.
O modo indicativo não precisa ocorrer, necessariamente, em uma estrutura subordinada. Por exemplo: Eu não sei nada da matéria! (estrutura sem subordinação, não depende de nenhuma outra); Eu quero que tudo dê certo. O dê está subordinado ao verbo quero, não poderia existir sem ele. Não existe a frase “tudo dê certo”, parece que falta algo, não é? Essa sensação de que falta algo é por causa da subordinação.
Tempos do indicativo
Presente: possui uma grande quantidade de possibilidades semânticas.
- Rotina: O presente do indicativo pode indicar um fato rotineiro, que costuma acontecer com frequência. Exemplo: Eu como todos os dias.
- Fato simultâneo ao momento da fala. Exemplo: Vagner Love chuta a bola para o gol.
- Passado: O verbo no presente do indicativo pode indicar um fato que já ocorreu. Em geral, o tipo textual narrativo usa muito o presente com a intenção de aproximar a história do leitor, fazer com que o leitor sinta que está assistindo à história, participando dela. Exemplo: Em 1808, a família real chega ao Brasil.
- Futuro: Pode indicar um fato que ainda vai ocorrer; este uso é muito comum na linguagem coloquial, no nosso falar cotidiano. Exemplo: Na próxima semana, eu vou à aula.
- Verdade absoluta: Exemplo: A Terra gira em torno do Sol.
Pretérito Perfeito: Pode indicar:
- Fato pontual no passado: Fato pontual no passado é um fato que aconteceu em um momento e terminou, não teve uma duração estendida, sendo, por isto, pontual. Exemplo: Ele correu rapidamente.
- Fato duradouro no passado: É aquele que teve uma duração, ou seja, ocorreu durante algum tempo, mesmo que pequeno. Exemplo: Falei no telefone por horas.
Pretérito Imperfeito: O verbo no Pretérito Imperfeito só pode indicar uma ação com aspecto durativo, uma ação que ocorreu por certo tempo. Por isso, chama-se imperfeito: a ação que ele indica não foi finalizada imediatamente, ou, então, trata-se de uma ação que costumava acontecer. Exemplo: Eu jogava basquete todos os dias.
Pretérito Mais Que Perfeito: A ação que o verbo no pretérito mais que perfeito indica ocorreu antes de outra, também no passado. Exemplo: O policial chegou ao local onde o acidente acontecera.OBS: Atualmente, o pretérito mais que perfeito não é utilizado na fala e tem sido pouco utilizado, inclusive, na escrita. Na fala, tende a ser substituído por uma locução de particípio com verbo auxiliar ter ou haver no pretérito imperfeito. Exemplo: O policial chegou ao local onde o acidente tinha acontecido.
Futuro do Presente: Pode indicar:
- Futuro em relação ao momento em que se fala: Exemplo: Amanhã, irei ao trabalho.
- Dúvida: O futuro do presente pode indicar dúvida de quem fala em relação a um fato. Ocorre em frases interrogativas. Exemplo: Será ele a pessoa certa?
- Ordem: O futuro do presente pode indicar uma ordem, equivalendo semanticamente ao imperativo. Exemplo: Não roubarás.
Futuro do Pretérito: O futuro do pretérito não indica um fato futuro em relação ao momento da enunciação, mas um fato futuro em relação a um fato expresso por outro verbo. Exemplo: Eu sabia que ela iria à festa.Reparem que o verbo no futuro do pretérito iria refere-se a um fato que aconteceu depois do fato expresso pelo verbo no pretérito imperfeito sabia. Ir, portanto, é futuro em relação a “saber”.Pode indicar:
- Polidez: Exemplo: Você me emprestaria sua caneta?
- Dúvida: Exemplo: Seria eu ideal para o cargo?
- Afastamento do que está sendo dito: O enunciador não se responsabiliza pelo que está falando. Exemplo: Disseram que você seria o culpado.
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